depois que te vi, ontem,
me senti tão suja
mas tão suja,
que cheguei em casa e passei leite de colônia no corpo todo.
Já botei algodão na lista do súper.
domingo, 22 de junho de 2008
terça-feira, 13 de maio de 2008
Nem só de mim vivo eu
Sim, sim. Eu sei.
Nem só de mim vivo eu.
Eu vivo de comida, bebida.
Cigarro.
Eu vivo de cheiro, de calor.
De barulho e silêncio...
Alegria?
De dor.
Vivo de felicidade e esperança;
Eu vivo é de amor!
Nem só de mim vivo eu.
Eu vivo de comida, bebida.
Cigarro.
Eu vivo de cheiro, de calor.
De barulho e silêncio...
Alegria?
De dor.
Vivo de felicidade e esperança;
Eu vivo é de amor!
sexta-feira, 9 de maio de 2008
mother's coffee
deixa eu te olhar,
por que a timidez?
ah, quero te ver
para gravar tua forma
tua cor eu já sei, de cor
e enxergava teu corpo antes de conhecer
posso até te desenhar de memória, agora...
mas deixa eu olhar, vai.
quero brincar de ti.
por que a timidez?
ah, quero te ver
para gravar tua forma
tua cor eu já sei, de cor
e enxergava teu corpo antes de conhecer
posso até te desenhar de memória, agora...
mas deixa eu olhar, vai.
quero brincar de ti.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
dialoguética
Eu amo.
é... não sei.
acho que amo.
porque quero tudo...
e, quase sempre, amo.
então, desta vez, não deve ser diferente,
deve ser amor.
tem que ser amor.
mas...
pode ser amor?
e se puder,
quero eu que seja amor?
e, se eu quiser, será?
seria?
tu queres?
e se tu quiseres...
vai ser?
e se vier a ser, como será?
o amor...
como saber sem amar?
é... não sei.
acho que amo.
porque quero tudo...
e, quase sempre, amo.
então, desta vez, não deve ser diferente,
deve ser amor.
tem que ser amor.
mas...
pode ser amor?
e se puder,
quero eu que seja amor?
e, se eu quiser, será?
seria?
tu queres?
e se tu quiseres...
vai ser?
e se vier a ser, como será?
o amor...
como saber sem amar?
sábado, 3 de maio de 2008
Once upon a time...
difícil saber o que se passa
no silêncio
esse vazio de significado
essa ausência de sentido
um buraco negro, silêncio é vácuo
silêncio suga
silêncio dói e destrói.
me faltam letras
me falta coragem
me falta um sim
impossível entender tua falta de palavras
tuas mãos trêmulas
teu jeito assim, que corre de mim...
teu medo me assusta, isso sim.
no silêncio
esse vazio de significado
essa ausência de sentido
um buraco negro, silêncio é vácuo
silêncio suga
silêncio dói e destrói.
me faltam letras
me falta coragem
me falta um sim
impossível entender tua falta de palavras
tuas mãos trêmulas
teu jeito assim, que corre de mim...
teu medo me assusta, isso sim.
de um sonho
ontem sussurrei canções velhas, de ninar
ao pé da tua alma distante
- sedenta de teu hálito e tuas asas -
ouviste?
ontem gritei baixinho teu nome
inspirei teus odores que ainda ficaram (e estão) em mim
- meus dedos e meu desejo escorregavam pelas paredes -
sentiste?
há em minha pele cantos só teus
ainda não tocados
que guardo, enquanto pretendo aqui o teu toque
um misto de mãos e saliva e pele
são tudo e apenas o que sinto
quando teus lábios tocam os meus
quando minha língua corrompe tua boca,
explorando o teu céu, tuas nuvens e teus dentes.
e quando teus braços me invadem,
e me jogam contra esse muro que é teu desejo fêmeo,
são então os meus olhos que, fechados, escondem a vertigem, o medo,
e o meu amor.
meu grande amor.
ao pé da tua alma distante
- sedenta de teu hálito e tuas asas -
ouviste?
ontem gritei baixinho teu nome
inspirei teus odores que ainda ficaram (e estão) em mim
- meus dedos e meu desejo escorregavam pelas paredes -
sentiste?
há em minha pele cantos só teus
ainda não tocados
que guardo, enquanto pretendo aqui o teu toque
um misto de mãos e saliva e pele
são tudo e apenas o que sinto
quando teus lábios tocam os meus
quando minha língua corrompe tua boca,
explorando o teu céu, tuas nuvens e teus dentes.
e quando teus braços me invadem,
e me jogam contra esse muro que é teu desejo fêmeo,
são então os meus olhos que, fechados, escondem a vertigem, o medo,
e o meu amor.
meu grande amor.
sábado, 12 de abril de 2008
Da indiferença
Hoje pensava sobre a capacidade de tranformação das pessoas. É sabido, e de conhecimento mais do que comum, que ninguém muda "para sempre". Como diz meu amigo querido, arrancar qualquer característica da personalidade de uma pessoa é como tirar-lhe um braço. Mutilação, violência. Então, amantes e rebeldes, tende paciência.
Mas a transformação acontece em certos momentos, exclusivamente por vontade própria, e dura um período determinado. Pode-se aceitar de tudo, quando se quer, mas não por muito tempo.
Me sinto mudada ultimamente. Muito. E não sei se isso tem me feito bem. Sinto meus sentidos como que anestesiados, uma grande indiferença em relação ao ambiente que me cerca. Mudei porque quis, claro, e tenho aceitado algumas coisas que não aceitei em momento algum de meus 28 anos de vida. Não reclamo, não me queixo, tampouco acredito ser vítima ou um ser passivo no processo. Pelo contrário, por me saber protagonista posso filosofar sobre minha arte camaleônica e analisá-la à luz de meus sentidos dormentes.
Essa indiferença cruel faz parte de um contexto maior, de regressão. De riso fácil, de felicidade imediata e culto ao presenteísmo. Me sinto bem, é verdade, com esta última parte. :-) Mas por vezes preciso tirar o time de campo, me recolher a mim. Voltar para casa. Porque me esgoto, como atriz. Represento e recrio o que conheço, não tenho capacidade de improvisação neste cenário. Sou diferente e sou mais completa quando sou eu mesma. E esse é meu palco: as luzes que me favorecem são as da literatura, dos bons filmes, a trilha sonora são boas músicas, minhas falas vêm de minhas pesquisas, de meu mundo fechado. Sim, ele é fechado. Eu sou. Assim, me somo três quartos e me divido apenas um... é o que posso dar, senão eu durmo. Se não me falas nada de novo, eu acho chato. Se eu não te acrescento, ainda pior. E rir pode ser o melhor remédio, mas não é o único. Vivo sem este mundo etílico, e de cirrose afetiva é que não morro. Por overdose de afeto, sim. Talvez. É essa a única droga que não me entedia.
Mas a transformação acontece em certos momentos, exclusivamente por vontade própria, e dura um período determinado. Pode-se aceitar de tudo, quando se quer, mas não por muito tempo.
Me sinto mudada ultimamente. Muito. E não sei se isso tem me feito bem. Sinto meus sentidos como que anestesiados, uma grande indiferença em relação ao ambiente que me cerca. Mudei porque quis, claro, e tenho aceitado algumas coisas que não aceitei em momento algum de meus 28 anos de vida. Não reclamo, não me queixo, tampouco acredito ser vítima ou um ser passivo no processo. Pelo contrário, por me saber protagonista posso filosofar sobre minha arte camaleônica e analisá-la à luz de meus sentidos dormentes.
Essa indiferença cruel faz parte de um contexto maior, de regressão. De riso fácil, de felicidade imediata e culto ao presenteísmo. Me sinto bem, é verdade, com esta última parte. :-) Mas por vezes preciso tirar o time de campo, me recolher a mim. Voltar para casa. Porque me esgoto, como atriz. Represento e recrio o que conheço, não tenho capacidade de improvisação neste cenário. Sou diferente e sou mais completa quando sou eu mesma. E esse é meu palco: as luzes que me favorecem são as da literatura, dos bons filmes, a trilha sonora são boas músicas, minhas falas vêm de minhas pesquisas, de meu mundo fechado. Sim, ele é fechado. Eu sou. Assim, me somo três quartos e me divido apenas um... é o que posso dar, senão eu durmo. Se não me falas nada de novo, eu acho chato. Se eu não te acrescento, ainda pior. E rir pode ser o melhor remédio, mas não é o único. Vivo sem este mundo etílico, e de cirrose afetiva é que não morro. Por overdose de afeto, sim. Talvez. É essa a única droga que não me entedia.
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