Procuro-te no espaço improvável,
em corpos aleatórios,
em horários impossíveis.
À espreita,
em alerta,
espero teus ruídos,
que não vêm.
Mas tudo bem...
Já que meu desejo se basta,
já que teu desejo me basta,
já que é tudo o que terei,
aprendo dia-a-dia a amar tua ausência
e a criar tua presença a partir dessa distância infinita.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Viva a resistência.
Bendita seja a dúvida.
E bem-vindas a pergunta que não cala
e a dor que dói com causa.
Não temo a resposta, ainda que ela se demore enquanto eu padeço.
Só peço coragem – tanto para aceitá-la quanto para lutar pela vitória justa.
E bem-vindas a pergunta que não cala
e a dor que dói com causa.
Não temo a resposta, ainda que ela se demore enquanto eu padeço.
Só peço coragem – tanto para aceitá-la quanto para lutar pela vitória justa.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Para aquele que pula minha janela.
Te amar, mesmo sem ter certeza, e te odiar, por isso: atividades minhas de quase todos os dias. Significados que não decifro, mensagens que não entendo, sonho contigo como com ninguém mais. Nestas manhãs acordo murcha. Uma vontade desesperadora de te ver, te cheirar, ouvir, sentir e, quando deixo, tu tomas de súbito meu peito como se arrancasse meu coração em punição por minha transgressão imperdoável. Minhas mãos, meus braços, minha voz tremem. Sou agora apenas paixão. Tu não sabes - e disso me orgulho. Sou suficientemente humana e corajosa ao ponto de suportar essa quase voluntária tortura auto-infligida.
Mas não te culpo ou me aborreço, amado carrasco. Dói, claro, mas seria mais provável que te agradecesse, pois, travestido em dor, tu me tocas mais uma vez.
Mas não te culpo ou me aborreço, amado carrasco. Dói, claro, mas seria mais provável que te agradecesse, pois, travestido em dor, tu me tocas mais uma vez.
É preciso deixar falar a voz que cala.
Sentir é saber, mais do que sempre creio que esta pode ser uma verdade. Mas eu me pergunto, duvido, questiono, espero. Vício antigo, talvez, mas a idéia de que duvidar de mim mesma possa ser uma maneira de me cuidar revela-se surpreendentemente coerente. Os motivos pelos quais questiono meu amor parecem ser bastante menos desabonadores. Reconheço a esperança, o amor próprio e o orgulho por ter finalmente me transformado em mim.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Não existe a princesa.
Seria mais fácil desistir.
Mais fácil, sem dúvida. No momento, agora, já, pois o que incomoda mesmo, chateia, deprime, é saber que alguma coisa não está bem. É ouvir aquele sussurro miúdo, lá dentro... Merda! Ouvir esta voz, essa, aquela, que fala tão baixo que quase se pode dizer que fala muda. Dá uma sensação de incômodo, calcinha fio-dental, sapato novo, sei lá... uma dor que não se sente, porque não se sabe qual é, ou porque já faz parte da gente.
Seria mais fácil desistir.
Mas e daí?
Nenhuma conquista fácil tem grande valor.
Nenhuma conquista fácil é conquista.
Mas a verdade do momento era que o caso dela era de uma reles e burríssima negação.
Não queria ver.
Não queria pensar.
Não queria sentir.
Não queria nem tentar.
Muito medo.
Muitos medos.
Tantos que podia listá-los.
Tinha medo:
1. dos Monstros do Oeste
2. dos Langoliers
3. do escuro
4. dos vampiros
5. dos fantasmas
6. de ratos e morcegos (que são a mesma coisa)
7. de engordar
8. de que ninguém aparecesse nos seus aniversários e, sobretudo, no seu velório.
E, como sabia disso, tinha consciência de que o que temia era a Verdade.
Mas o que podia fazer? Era insegura por ego e teimosa por alterego.
Um caso perdido que não precisava de solução.
Mais fácil, sem dúvida. No momento, agora, já, pois o que incomoda mesmo, chateia, deprime, é saber que alguma coisa não está bem. É ouvir aquele sussurro miúdo, lá dentro... Merda! Ouvir esta voz, essa, aquela, que fala tão baixo que quase se pode dizer que fala muda. Dá uma sensação de incômodo, calcinha fio-dental, sapato novo, sei lá... uma dor que não se sente, porque não se sabe qual é, ou porque já faz parte da gente.
Seria mais fácil desistir.
Mas e daí?
Nenhuma conquista fácil tem grande valor.
Nenhuma conquista fácil é conquista.
Mas a verdade do momento era que o caso dela era de uma reles e burríssima negação.
Não queria ver.
Não queria pensar.
Não queria sentir.
Não queria nem tentar.
Muito medo.
Muitos medos.
Tantos que podia listá-los.
Tinha medo:
1. dos Monstros do Oeste
2. dos Langoliers
3. do escuro
4. dos vampiros
5. dos fantasmas
6. de ratos e morcegos (que são a mesma coisa)
7. de engordar
8. de que ninguém aparecesse nos seus aniversários e, sobretudo, no seu velório.
E, como sabia disso, tinha consciência de que o que temia era a Verdade.
Mas o que podia fazer? Era insegura por ego e teimosa por alterego.
Um caso perdido que não precisava de solução.
"Não tive filhos não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria."
Ela optou por negar ao próprio filho, àquele ser que tanto desejara um dia, a existência. Porque o amava, e porque sabia, sem culpa, que seu amor era venenoso. Foi por saber que não conseguiria lhe dar o que ele mereceria ter que lhe poupou da vida.
Sábias palavras de Machado. O maior feito de um homem, o único e definitivo que prova sua humanidade e compaixão, é não legar àquele que diz amar a maldição de lhe ser semelhante: a imperfeição, essa imperdoável, insuportável, pré-condição para se "ser humano".
Sábias palavras de Machado. O maior feito de um homem, o único e definitivo que prova sua humanidade e compaixão, é não legar àquele que diz amar a maldição de lhe ser semelhante: a imperfeição, essa imperdoável, insuportável, pré-condição para se "ser humano".
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Muito, muito, muito...
...obrigada.
mais uma vez, te agradeço pela luz do sol e da lua,
e por poder vê-las sem chorar.
te devo uma, duas, três, de uma vez por todas
te sinto de novo pulsar, e continuo linda
nua, sim, mas com a alma à flor desabrochada da minha pele branca,
branca,
branca.
e às vezes um pouco vermelha também.
mais uma vez, te agradeço pela luz do sol e da lua,
e por poder vê-las sem chorar.
te devo uma, duas, três, de uma vez por todas
te sinto de novo pulsar, e continuo linda
nua, sim, mas com a alma à flor desabrochada da minha pele branca,
branca,
branca.
e às vezes um pouco vermelha também.
Assinar:
Postagens (Atom)
